Marca
não é logo.
Identidade, posicionamento e as quatro jogadas que decidem o destino de uma marca: extensão, co-branding, ativismo e gestão de crise.
120 minutos,
três blocos.
Naming, logotipo, paleta, tipografia e tom de voz. O que a marca diz sobre si.
Proposta de valor, mapa de posicionamento e reposicionamento. Onde a marca mora na cabeça do cliente.
Extensão, co-branding, ativismo e crise. O que fazer com a marca depois de construída.
Ao longo da aula: mapa que você arrasta, simulador de crise, quizzes ao vivo e duas atividades em equipe.
Cinco peças,
uma promessa
O que a marca diz que é. Você controla.
O que o público entende. Você influencia.
O lugar que ocupa na mente. Você disputa. É o bloco 2.
Um nome é a menor peça de mídia que existe
O desenho do swoosh custou US$ 35
1971. Carolyn Davidson, estudante de design, cobrou por 17,5 horas de trabalho. O registro saiu em 18 de junho daquele ano. Anos depois, ganhou um anel de ouro e 500 ações da Nike.
Fontes: Portland State University; Retail Brew.
Só o nome em letra desenhada.
Só a forma. Exige muita exposição.
Nome mais forma. O mais flexível.
Cor: escolha uma e veja o que ela diz
Fonte: a mesma frase, quatro personalidades
Em 2018 a Netflix passou a usar uma fonte própria, a Netflix Sans, no lugar da Gotham. Fonte também é ativo de marca.
Mesma mensagem,
cinco marcas
A Magalu criou a Lu em 2003. A personagem virtual deu rosto e voz à marca ao longo de duas décadas. Voz consistente vira patrimônio.
Posicionamento
Proposta de valor, mapa de posicionamento e reposicionamento estratégico.
A batalha acontece
na mente, não na prateleira
Em 1981, Al Ries e Jack Trout publicaram “Positioning: The Battle for Your Mind”. A ideia é simples: ninguém compara tudo, as pessoas guardam poucos nomes por categoria.
A marca que você falou primeiro ocupa o degrau mais alto da escada mental daquela categoria. Posicionar é escolher qual degrau disputar.
Uma frase que cabe
numa respiração
Dor, ganho e
a diferença que dá pra provar
O problema real do cliente, dito como ele diria.
O que muda na vida dele quando resolve.
O que só você entrega, com prova.
Em vez de “alugue quartos”, a marca passou a prometer pertencimento: “Belong Anywhere”. A promessa saiu da transação e foi para a sensação.
Cartão sem anuidade, controle pelo app e atendimento sem agência. Promessa funcional, fácil de verificar na primeira fatura.
Slogan ou proposta de valor?
Dois eixos,
muitos concorrentes
- Escolha 2 critérios que o cliente usa para decidir.
- Coloque 5 a 8 concorrentes reais.
- Procure agrupamentos e buracos.
Espaço vazio pode ser oportunidade ou pode ser um lugar onde ninguém quer comprar. Valide demanda.
Em que você se apoia?
Onde o posicionamento quebra
Quando mudar de
lugar na mente
A marca é respeitada, mas ninguém lembra dela.
Quem comprava envelheceu e quem chega não conhece.
Um concorrente ocupou o seu degrau.
A confiança caiu e precisa de uma nova razão.
Mudar o público que você fala.
Mudar a ocasião ou o benefício.
Mudar contra quem você se compara.
Para pesquisar em casa: Burberry (2006) e LEGO (2003-2004).
De “coisa de avô” a fenômeno
Marca confiável e velha. A Axe seduzia os jovens e a venda de body wash caía.
InsightQuem compra o sabonete do homem é, muitas vezes, a mulher. O filme falou com ela, com humor, e transformou o homem em personagem.
meta
maio
julho
Na época, analistas apontaram que cupons e outros fatores também ajudaram nas vendas. Pergunte: o que mais precisa estar no mapa para isolar o efeito do posicionamento?
Spot online em 4 e na TV em 8 de fevereiro de 2010 (Super Bowl XLIV). Fontes: Wieden+Kennedy; MediaPost (Effie 2011).
Do chinelo de massa à vitrine
Fontes: IFRS (2017); Correio Braziliense; Movimento Econômico; Paraíba Business; Seu Dinheiro (2026).
Laboratório de posicionamento
- A frase cabe numa respiração?
- Existe prova concreta?
- O mapa tem concorrentes reais?
- O espaço escolhido tem demanda?
Você fixou?
Estratégias de branding
Crescer, aliar,
tomar lado, proteger
A marca tem licença da mente do cliente para entrar nessa categoria?
Um mais um vale mais que dois, para os dois lados?
A causa é verdadeira para a marca e está provada em ação?
Estamos prontos para as primeiras 24 horas?
Usar o nome em outro produto
Mesma categoria: novo sabor, tamanho ou versão.
Categoria nova, apoiada na confiança que a marca já tem.
Anunciado em 29 de outubro de 2024 e em operação desde janeiro de 2025, usando a rede da Claro. Planos de 15, 20 e 35 GB por R$ 45, 55 e 75. Em 19 de junho de 2026, 1 milhão de clientes.
Menos de 1% da base em 17 meses. Sucesso ou começo lento? Depende da régua.
Fontes: Nubank Newsroom (2024 e 2026); Mercado & Consumo; Nord Investimentos.
Faz sentido ou esticou?
Duas marcas, um produto
Os dois nomes no mesmo item.
Collab com designer ou outra marca.
Ação de venda compartilhada.
Lançado em 8 de março de 2012: 100 milhões de unidades em 10 semanas, depois de cerca de 3 anos de desenvolvimento.
A marca da Grendene nasceu em 1979. Fez parceria com os irmãos Campana em 2004 e com Vivienne Westwood, Karl Lagerfeld, Jason Wu e outros. Uma reportagem de 2023 contou 63 colaborações.
Segundo a Havaianas, o ponto de partida de qualquer collab é ter valores correlacionados e uma história forte para contar.
Fontes: Restaurant Business; NRN; Glossy; Forbes Brasil.
Vale a parceria?
Tomar lado custa. E precisa ser verdade
Ativismo de marca é assumir posição em tema social, político ou ambiental e sustentar com ação, não só com campanha.
Não fala do tema.
Faz a sua parte sem alarde.
Tema ligado ao negócio.
Assume posição e aceita o custo.
Quando a ação não é real, o nome é greenwashing, pinkwashing ou simplesmente oportunismo. O público percebe a distância entre discurso e prática.
“Dream Crazy” e o risco calculado
Na campanha dos 30 anos do “Just Do It”, a Nike escolheu Colin Kaepernick, o ex-quarterback que protestou durante o hino contra a violência policial. Houve boicote e vídeos de tênis queimados.
As ações caíram cerca de 3% no primeiro dia e depois bateram recorde.
Dados online parciais, de uma consultoria de rastreio de recibos.
Fontes: Fortune (7/9/2018); Willamette Week; Bloomberg via BNN.
A Terra é a acionista
Em 2011, um anúncio na Black Friday pedia aos clientes que não comprassem uma jaqueta. Em setembro de 2022, Yvon Chouinard transferiu a propriedade da empresa.
- Patagonia Purpose Trust: 2% das ações, todo o voto.
- Holdfast Collective: 98%, sem voto, para ação climática.
- 1% das vendas segue indo para ONGs ambientais.
- A empresa estimou cerca de US$ 100 milhões por ano.
A Fortune lembrou que a família Chouinard mantém o controle da empresa por meio do trust. O que foi “doado” são os lucros, não a gestão.
Fontes: Patagonia (página de propriedade); Fortune (21/9/2022).
Trainee só para pessoas negras
Em 18 de setembro de 2020 o Magalu abriu o programa de trainee 2021 exclusivo para candidatos negros, para ampliar a liderança, que tinha 16% de pessoas negras.
Houve apoio e críticas nas redes. A Defensoria Pública da União entrou com ação pedindo R$ 10 milhões por dano moral coletivo. Análises jurídicas defenderam o programa como ação afirmativa.
Segundo a presidente do conselho, a presença negra em cargos de liderança passou de 16% para 21%.
Fontes: Meio & Mensagem; Forbes ESG; Correio 24 horas; InvestNews; Conjur.
Quando a ação assusta a base
Em abril de 2023, uma ação com a influenciadora Dylan Mulvaney gerou boicote de parte do público. Ao mesmo tempo, fãs dela disseram que a marca não a apoiou o bastante. Foi criticada pelos dois lados.
Bud Light era a cerveja mais vendida dos EUA desde 2001 e perdeu a liderança em volume de dólares para a Modelo Especial. Em 2024, caiu para terceiro em valor, mas ainda era a primeira em volume de caixas.
Participação nas lojas: Modelo 8,4% e Bud Light 7,3%.
Fontes: PBS NewsHour/AP; NBC (CNBC); Fox Business (2024). Dados de varejo, sem bares.
Sua marca aguenta?
As primeiras 24 horas
Fale antes que os outros falem por você.
Diga o que sabe e o que ainda não sabe.
Assuma o que é seu, sem culpar terceiros.
Recolha, corrija, compense. Palavra sem ação cai.
Humor só quando ninguém foi ferido. Se há risco à saúde ou à vida, a resposta é séria, direta e centrada nas pessoas.
Recolher tudo, até o que não era culpa deles
Em 29 de setembro de 1982, cápsulas de Tylenol adulteradas com cianeto mataram 7 pessoas em Chicago. A adulteração ocorreu fora da fábrica. A J&J mesmo assim recolheu cerca de 31 milhões de frascos, abriu uma linha direta, suspendeu a publicidade e criou embalagens invioláveis.
A autoria nunca foi esclarecida.
Em cerca de um ano a marca recuperou a liderança.
Fontes: PBS NewsHour; Ragan/PR Daily.
Uma loja de frango sem frango, F.C.K.
Em fevereiro de 2018, a troca da empresa de logística para a DHL deixou mais da metade das cerca de 900 lojas sem frango.
Em 23 de fevereiro saiu um anúncio de página inteira, criado pela agência Mother: o balde vazio com as letras do logo reordenadas, um pedido de desculpas direto e uma página para checar as lojas abertas.
Leão de Ouro em Cannes 2018 e alcance estimado de mais de 1 bilhão de pessoas em três meses.
O erro era logístico e não havia risco à saúde. Por isso o humor coube.
Fontes: Marketing Week; CNBC; The One Show; Campaign.
Quando a causa é desconhecida
Entre o fim de 2019 e janeiro de 2020, casos de uma síndrome nefroneural em Minas Gerais foram ligados à cerveja Belorizontina. Em 9 de janeiro a Polícia Civil divulgou laudo que apontou dietilenoglicol. No dia seguinte, o Ministério da Agricultura interditou a cervejaria.
A empresa informou que a substância não fazia parte do processo e que não sabia como a contaminação ocorreu. Dias depois, orientou os consumidores a não beber nenhum lote da Belorizontina. A apuração do Ministério chegou a 10 rótulos com substâncias tóxicas.
- Quais decisões ocorreram antes do laudo?
- O que a empresa podia afirmar sem ter certeza?
- Qual frase teria protegido mais os clientes?
O acordo posterior com o Ministério Público citou 29 pessoas intoxicadas.
Fontes: Secretaria de Saúde de MG (notas técnicas 1 e 2/2020); Tribuna de Minas; Jovem Pan; Folha Vitória.
O padrão por trás
| Caso | Gatilho | Risco à vida | Resposta | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| Tylenol, 1982 | Adulteração criminosa com cianeto | Sim, 7 mortes | Recall nacional, alerta público, linha direta, embalagem inviolável | Participação 37% para 7% e recuperação em cerca de 1 ano |
| KFC, 2018 | Troca de empresa de logística | Não | Pedido de desculpas com humor e página de status das lojas | Leão de Ouro e alcance de mais de 1 bilhão |
| Backer, 2020 | Contaminação por dietilenoglicol | Sim, mortes e intoxicados | Negou uso no processo, pediu para não consumir, cervejaria interditada | Fábrica fechada e acordo com o Ministério Público |
Decida em tempo real
Última rodada
Marca é o que ficam pensando.
Diga com coerência.
Ocupe um degrau.
Cresça, alie-se, tome lado e proteja.
Escolha uma marca de Santa Catarina. Entregue: frase de posicionamento, mapa com 5 concorrentes e uma jogada de branding (extensão, co-branding, ativismo ou plano de crise) com o teste de risco.
Leitura: Kotler e Keller, Administração de Marketing; Ries e Trout, Posicionamento; Wheeler, Designing Brand Identity.
Fontes dos cases
Números reportados por imprensa, consultorias e páginas oficiais. Confira antes de usar em avaliações.